Rotina de atrasos salariais continua e ASG’s da UERN paralisam atividades novamente

Trabalhadores e trabalhadoras paralisaram atividades no Campus Central

Trabalhadores e trabalhadoras paralisaram atividades no Campus Central

Pela terceira vez em menos de um ano, Auxiliares de Serviços Gerais (ASG’s) da UERN paralisaram todas as atividades e o motivo não é novo: os recorrentes atrasos salariais. De acordo com os servidores já são dois meses sem receber salários. Além disso, funcionários que gozaram de suas férias no último período ainda não sabem quando receberão os valores referentes ao direito.

A paralisação suspendeu as atividades em boa parte do Campus Central e também no Epílogo de Campos e Reitoria. Segundo os terceirizados a parada deverá seguir até que os salários sejam pagos.

Terceirizados também paralisaram atividades na Reitoria

Terceirizados também paralisaram atividades na Reitoria

Procurado pela reportagem da ADUERN, o encarregado da empresa Solaris, Genésio Gomes, afirmou não possuir nenhuma informação concreta acerca dos atrasos. Ele não soube explicar de quem é realmente a responsabilidade pela situação. “Esta manifestação foi organizado pelos próprios terceirizados, não sabíamos que ia acontecer. Eu não vou passar informações sobre o porquê está atrasado ou de quem é a culpa porque não sei”, argumentou o encarregado.

A assessoria de comunicação da UERN foi procurada para elucidar a situação com os terceirizados. De acordo com a universidade, a empresa Solaris, que gerencia o trabalho dos ASG’s, vem descumprindo o contrato firmado com a instituição ao não repassar a documentação necessária para o pagamento dos servidores.

A UERN deverá entrar com uma notificação à empresa solicitando retorno imediato aos postos de trabalho, uma vez que o contrato entre as partes prevê que uma paralisação só pode acontecer após 90 dias em atraso. Segundo informações da AGECOM, a universidade poderá inclusive aplicar multa à empresa caso os serviços não sejam retomados imediatamente.

A assessoria ainda destacou que a documentação referente ao mês de fevereiro já está pronta, aguardando apenas liberação do Governo do Estado. Já a documentação do março ainda não foi entregue pela empresa, o que inviabiliza o pagamento.

A universidade lançou uma nota oficial falando do impasse com impasse com a empresa Solaris. Confira aqui

ROTINA DE ATRASOS – Uma terceirizada, que preferiu não ser identificada, afirmou que a partir da próxima semana não trabalhará mais na UERN e que os atrasos salariais foram determinantes para que ela pedisse demissão. “Eu tenho 1 ano e meio de UERN e neste tempo nunca recebi meu salário em dia. Não deveria ficar feliz em me tornar desempregada mas a verdade é que hoje eu pago para trabalhar aqui. Infelizmente hoje é melhor trabalhar como doméstica ou empacotadora de supermercado do que na universidade” destacou.

Outro servidor afirmou que já recebeu diversas ofertas de empregos, mas que segue na UERN por acreditar que seus direitos devem ser garantidos. “Estou trabalhando aqui há dois anos e neste tempo só recebi em dia por três ou quatro meses. Não vou abrir mão do que a empresa e a UERN me devem, trabalhei e tenho direito de receber, nem que passe dez anos, mas quero que me paguem os atrasados, férias e tudo mais”, comentou.

Outro ponto que também foi lembrado pelos ASG’s foi o processo de terceirização. De acordo com eles a mudança na relação de trabalho foi determinante na piora das condições laborais e de vida. “Com a terceirização tudo ficou pior. Tínhamos plano de saúde, hora extra, férias remuneradas, garantias. Hoje não temos nada, nem salários em dia”, afirmou uma servidora.