A Associação dos e das Docentes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (ADUERN) aprovou, em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (14), apoio às candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à reeleição, e de Cadu Xavier (PT), ao Governo do Rio Grande do Norte, no segundo turno das eleições de 2026.
A decisão se deu após amplo debate com docentes presentes em Mossoró e nos pontos de transmissão virtual da assembleia nos campi.
Por ampla maioria a categoria entendeu que o apoio a Lula e a Cadu são fundamentais para a manutenção da democracia e fortalecimento da universidade. Para vários dos professores e professoras presentes na assembleia, a derrota eleitoral de Lula pode representar um período de retrocessos para os direitos sociais e, inclusive, para o movimento sindical. Ao mesmo tempo, a defesa da candidatura de Cadu Xavier se dá pela manutenção do projeto de autonomia e valorização da UERN, iniciado durante o Governo de Fátima Bezerra em 2019.
Além de deliberar sobre o posicionamento político da entidade, a categoria aprovou uma carta pública na qual apresenta os fundamentos da decisão e estabelece uma série de reivindicações relacionadas à defesa da democracia, à valorização das universidades públicas, ao financiamento da educação e à garantia dos direitos da classe trabalhadora.
No documento, a ADUERN avalia que os atuais governos federal e estadual representam projetos comprometidos com a ampliação dos investimentos em educação, o fortalecimento da pesquisa científica e a promoção da inclusão social.
A entidade também destaca a importância da educação pública como instrumento de desenvolvimento econômico e social, defendendo que o acesso ao ensino superior seja acompanhado de políticas de permanência estudantil, valorização profissional e investimentos em infraestrutura.
Apoio não é um “cheque em branco”
Um dos pontos centrais da carta é a reafirmação da independência política e sindical da ADUERN. Embora manifeste apoio às duas candidaturas, a entidade ressalta que continuará exercendo seu papel de fiscalização, reivindicação e cobrança diante dos governos.
“Nosso apoio às candidaturas do Presidente Lula e de Cadu de Lula não é ‘um cheque em branco’”, afirma o documento.
A carta acrescenta que a decisão não representa renúncia à autonomia da entidade nem à sua capacidade crítica. Ao contrário, estabelece o compromisso de continuar cobrando avanços nas políticas educacionais, melhores condições de trabalho e respeito aos direitos dos servidores públicos.
Defesa da UERN e financiamento da educação
Entre as 13 diretrizes apresentadas na carta, a defesa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte ocupa posição de destaque.
A ADUERN reivindica o fortalecimento das universidades públicas como instituições estratégicas para o desenvolvimento regional e nacional, além da ampliação dos investimentos em infraestrutura, pesquisa, extensão e assistência estudantil.
O documento também defende a garantia dos percentuais crescentes de repasses previstos na repactuação financeira da UERN, considerada fundamental para assegurar as condições de funcionamento e desenvolvimento da instituição.
Outro ponto destacado é a preservação da universidade como patrimônio público do Rio Grande do Norte, ao mesmo tempo em que a categoria propõe o aprofundamento do debate sobre o Sistema Nacional de Educação.
A carta ainda reivindica o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a ampliação do financiamento da ciência, tecnologia e inovação e a recomposição e ampliação dos quadros de pessoal das instituições públicas de ensino.
Direitos trabalhistas, inclusão e desenvolvimento nacional
O posicionamento da ADUERN ultrapassa as reivindicações específicas do ensino superior e incorpora pautas mais amplas relacionadas ao mundo do trabalho e ao desenvolvimento nacional.
Entre elas está a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, medida que a entidade relaciona à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias.
A carta também apresenta propostas relacionadas à soberania tecnológica, à transição energética, à industrialização e à ampliação da cooperação acadêmica internacional, especialmente com países do Brics, do Mercosul e da América Latina.
No campo educacional, a entidade defende o fortalecimento das políticas afirmativas e de inclusão, com atenção especial às pessoas com deficiência, à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e às iniciativas de acesso e permanência estudantil.
Outro compromisso enfatizado é a manutenção do diálogo dos governos com sindicatos, organizações estudantis e movimentos sociais, reconhecendo a participação popular como elemento indispensável à formulação das políticas públicas.
Compromisso com a democracia
Ao concluir o documento, a ADUERN reafirma o apoio às candidaturas de Lula e Cadu Xavier por considerar que ambas representam, na avaliação da entidade, a continuidade de políticas voltadas ao fortalecimento das instituições públicas de ensino, da ciência e da inclusão social.
A associação também convoca a comunidade acadêmica e a sociedade a participarem do debate político em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais.
Com a deliberação, a ADUERN formaliza seu posicionamento institucional no segundo turno das eleições, associando a manifestação de apoio a uma plataforma de reivindicações que deverá orientar sua atuação e suas cobranças aos futuros governos.